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Palavras despejadas, as vezes sem o menor nexo aparente, com um sentido um tanto ausente.Um blog de uma pessoa romântica, mas um tanto fria, de uma pessoa sedenta da sua companhia.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Qualquer coisa

Sentei aqui e decidi escrever qualquer coisa, qualquer ideia que me passasse pela cabeça. Eu para começar nunca me entendi, acho que não vou começar me entendendo agora, eu to morrendo de calor e o que eu to fazendo? Tomando uma xícara de café quente, pior que é exatamente isso mesmo que estou fazendo. 
Sobre meus pensamentos e sobre as coisas que passam pela minha cabeça, é tudo muito confuso, no momento eu só quero sair daqui. Me sinto muitooo presa aqui e quero me libertar , agoraaa....

As pessoas são complicadas e eu aprendi da pior maneira possível a não confiar nelas, muitas coisas que se dizem são apenas da boca pra fora. Não vai vingar. E você depois começa a se sentir bocó de mais, por acreditar. Foi lá minha infância remota que eu aprendi que  tudo não eram só flores, comecei a enxergar os espinhos, em uma promessa não cumprida, em atos de egoismo, vê aquele ser que eu idolatrava, meu pseudo deus se transformar em meu maior carrasco não foi nada fácil. Sabe, minha primeira postagem desse blog fala sobre ele, fala em poucas palavras em como eu fui me afastando dele, de como eu lutava para ser reconhecida por ele. Um monstro, um demônio, um ser ruim, que foi embora e me deixou aqui, me largou, não me liga, nunca me ligou, nunca disse palavras bonitas, até quando estava sofrendo eu fui lá, por você. Não fui por merda de avó nenhuma, que nunca lembrou da minha existência, fui por meu pai, que tinha perdido a sua mãe. Fui pra dá meu ombro, e meu abraço, coisas que depois de tanto tempo a gente nem sabia mais o que era, fui pra dizer que amava ele, e disse. Fui pra tentar dividir o peso que ele estava carregando, fui pra pegar um pouco da sua dor para mim, fui para tentar ser uma filha solidária, mesmo ele nunca tendo sido um pai, nem solidário nem nada.
Tantas vezes tentei falar com ele e só ouvia um "não quero saber da tua vida" , "isso não me interessa"... Quando meu rendimento escolar foi decaindo , ele sabia chegar direitinho em mim e  me humilhar, me chamar de burra... Quando ele brigava com minha mãe e saia para casa da minha vó me levava com ele e sabia ficar falando mal de minha mãe para mim, sempre... Sempre soube me dá as melhores surras e quebrar minhas melhores coisas, inclusive meu violão. Sempre tentou me privar de viver, e sempre soube me dizer as palavras que toda filha quer ouvi " vou te matar se você não sair da minha frente agora"... " sua voz é insuportável" ..... Eu não tive culpa de nenhum mal casamento, eu sempre me sentir tão sozinha aqui. Ele decidiu sair de casa e foi uma das melhores coisas que  me aconteceu nesses últimos anos, sabe a sensação de alivio? foi o que eu sentir.  Mas também não posso negar que a sensação de que tudo estava desmoronando ficou, aqui pertinho. Quando ele saiu de casa, ele me esqueceu de vez. Não é que eu queria ser lembrada , é que sei lá, ele é meu genitor, me colocou no mundo e depois simplesmente virou as costas para mim, de vez. Já tem quase 2 anos que ele saiu, e tu acha que nesses 24 meses ele veio aqui alguma vez me visitar ? Nem no dia 11 de junho, nem no natal, nem na pascoa, nem em data nenhuma. E as poucas vezes que ele passou por aqui me fez querer ficar mais distante dele, ele vinha como furacão, ventania, infernizar a vida da gente, brigar com minha mãe e falar merda. Nem sair ele soube, eu paro e me pergunto , "hey man que merda de homem é você?" , antes eu tinha uma vontade de conversar com ele, saber o que aflige ele a tal ponto, o que faz ele ser assim tão hostil, só conversar para poder tomar um pouco dos problemas dele para mm, conversar sem julgar, afinal sou tão boa amiga de todos, porque não dele? mas como é difícil chegar até ele, mesmo assim decidir me preocupar, ligar para ele, até a ultima vinda dele aqui, onde ele fez questão de machucar minha mãe. Minha querida mãe. Que por mais que eu me revolte, que ela se revolte , sempre tá comigo, por mais que não seja daquelas mães afetivas em demostrações corporais, com carinhos e dengos, é a mãe para todas as horas, até para as horas inexistentes. Ela que sabendo de todos meus defeitos, os meus piores defeitos, fica do meu lado sempre. Imagine so a merda do meu genitor não sabe nada de minha vida, nem que sou lésbica e já me trata assim, imagine só se um dia ele descobrisse, se ele me rejeita tanto porque não sou nenhuma especie de filha exemplar que ele pode mostrar aos amigos, imagine se ele descobre que sou pior do que ele pensa. Isso não é pai, o nome disso é outra coisa.

Desde então... 
Entre tantos pensamentos confusos na minha mente, não sei porque hoje resolvi falar sobre isso.  È meio revoltante, poderia culpar ele por tudo  que deu errado para mim, mas não, eu sei que a culpa é toda minha, isso é só um desabafo. E também , eu não sei que diabo família quer dizer, assim de família tenho minha mãe, só. Pelo menos de sangue, é ela mesmo que é minha família, o resto da minha família escolhi com o tempo, são alguns raros e poucos amigos que aturam meus pittís, que eu aturo os deles, e que vivemos feliz, nessa inconstância que é a vida. 
O resto é hipocrisia e eu odeioo ODEIO, datas comemorativas, talvez por não ter uma família, por não ter o que comemorar, nem com quem passar. Não que isso esteja errado.. Problema meu que nasci gauche nessa vida...
Eu tirava boas notas , ganhei um violão aprendir minha primeira musica sozinha no meu quarto vc nunca me elogiou ... Eu não lutei para ser reconhecida logo me dei por vencida ouvir somente palavras duras vindo de vc... mas nunca guardei odio...


 Isso foi da minha primeira postagem, porque acho que sinto odio dele hoje em dia, talvez agora menos, meu coração é muito vadio, queria ser mais dura e cruel.


2 comentários:

Waldemar Queiroz disse...

Existem pessoas que não fazem parte deste mundinho bosta. Sabe Neguxa, pessoas como voce, eu e muita gente cool se sentem tão deslocados quanto um instrumento afinado tocando numa banda desafinada. Essas pessoas vivem alem de seu próprio tempo, enxergam anos-luz à frente. Fazem parte de um outro tipo de raça, muito mais evoluida. Não tente se entender usando o ponto de vista mesquinho de uma sociedade também mesquinha. As pessoas consideradas 'normais' já fizeram tanta merda neste planetinha acanhado, criando padrões e preconceitos absurdos, que se sentem proprietários da vida humana. Temos então de criar o nosso próprio mundo para que possamos coabitar e coexistir pacificamente, mas, as vezes sinto um inevitável vontade de fazer uma "Revolução da Loucura", pois 'C'est formidable d'être fou...' (http://wldmr-ruminatingthoughts.blogspot.com/2012/03/cest-formidable-detre-fou.html), sejamos pois absolutamente loucos e podemos mudar o mundo. Te adoro Neguxa! ;)

Waldemar Queiroz disse...

PS.: Quanto a tomar cafe sentindo calor, tô fazendo o mesmo aqui! quia...