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Palavras despejadas, as vezes sem o menor nexo aparente, com um sentido um tanto ausente.Um blog de uma pessoa romântica, mas um tanto fria, de uma pessoa sedenta da sua companhia.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A rua.


O vira-lata balançava o seu rabo, contente ao ver-la chegar. Não era sua dona, mas ele dono da rua adotou todas as pessoas que moravam lá.
E essa recepção calorosa do cão da rua, foi o suficiente para ela sair do transe e perceber como a vida tem suas peculiaridades.
A manhã estava cinza, na verdade já tinha um tempo que todas as manhãs da sua vida eram cinzas, migrando para o "preto-escuro". Ela tentava se permiti, tentava seguir em frente, mas sempre havia uma pedra no meio do caminho, onde ela tropeçava e caia, as vezes demorava de mais para se levantar. Não percebia no momento, o tanto de tempo que desperdiçava. Chorava suas mágoas com uma caneta na mão, um cigarro na boca e uma singela depressão batendo na sua porta. Sem credibilidade de ninguém, tentava mudar internamente, sem fazer alarmes, anos a fio se passavam e ela não traçava metas nem fazia promessas. Estava lá apenas vivendo. Errou muito ao decorrer da sua vida, mas ainda restava um tênue fio de esperança, no fundo do seu ser.
Amou de mais pessoas erradas e desdenhou de mais as pessoas certas. Por fim amou a pessoa que também a amou do mesmo jeito, talvez até mais do que ela merecia, dai ela desistiu. Desistiu porque se entregou na metade da batalha, porque pensou que o tempo não para e não era justo tudo que estava acontecendo, tanta distancia assim seria impossível atravessar-la.
Jogou a toalha e saio correndo, fugindo, como sempre fez quando se deparava com uma dificuldade e depois, chorando como um bebê, dessa vez ela sentiu realmente a ponta da faca entrar no seu peito. Como sempre fugindo e re-fugindo, criou escapes e distrações, fugiu até de si mesma e entrou em outras complicações. Outras paixões. Enquanto pensava tudo isso, passava pela rua, a rua que lhe acolheu varias vezes quando pequena, a rua que derrubou tantas outras sua bicicleta. A rua que era o símbolo de sua liberdade quando mais nova, agora era assustadora, agora ela andava pela rua desejando mais que nunca entrar no portão de sua casa e esquecer tudo de ruim que já tinha passado do portão a fora. Antes ela queria alguém para desbravar rua a fora com ela, hoje em dia ela quer um refugio e prefere desbravar sozinha, mata seu própio dragão dia pós dia.

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